Ele deixou de atender em posto de saúde para atuar em clínica particular.
Advogado disse que cliente só vai falar quando inquérito for concluído.

Do G1 BA

 

 

 

 

 

Douglas

O médico preso em flagrante na quarta-feira (3), no município de Senhor do Bonfim, localizado a 375 km de Salvador, por ter deixado de atender mais de 20 pacientes que o aguardavam no 1º Posto Municipal de Saúde para atuar em sua clínica particular, foi solto na tarde desta quinta-feira (4) após pagar fiança de R$ 10 mil.

Segundo a Polícia Civil, o médico, que é servidor municipal concursado, suspendeu o atendimento a pacientes mais carentes agendado para quarta-feira, alegando motivos pessoais. Ele remarcou as consultas para o dia 20 de dezembro.

Segundo Rodrigo Almeida, um dos advogados do médico José Douglas, o cliente vai poder continuar trabalhando, e acrescentou que ele só poderia ser suspenso caso o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) fizesse o pedido.

“A gente ainda não viu o relatório do caso, só vamos adentrar nos méritos do fato quando concluir o inquérito policial, até para que as pessoas entendam melhor o que está acontecendo. O inquérito estava previsto para ser concluído em cinco dias, mas como ele foi solto, deve se estender um pouco mais, não sei exatamente quantos dias, mas não deve demorar muito. A juíza pediu apenas que ele suspendesse as atividades como cardiologista e só trabalhar como clínico geral”, explica o advogado.

A prisão
O médico foi preso após uma fiscalização de rotina do Ministério Público (MP), que procura investigar se os profissionais da saúde da rede pública municipal realmente cumprem suas jornadas de trabalho nos postos.

Depois de constatarem a ausência do médico no local, os investigadores seguiram para o consultório particular dele, também localizado no centro de Senhor do Bonfim. Lá, os agentes verificaram que o clínico geral atendia sua clientela privada. Ainda conforme a Polícia Civil, mais de 30 pacientes estavam na sala de espera do consultório particular.

Além de crime de prevaricação, José Douglas Bezerra de Andrade também foi autuado por estelionato, já que, segundo a polícia, ele exercia ilegalmente a função de cardiologista.