Por que parou?… Parou por quê?

O Sisef, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Filadélfia, vem mais uma vez a público para esclarecer aos colegas servidores (as) municipais e à população em geral os motivos que levaram sua diretoria, após reunião em assembleia extraordinária com os servidores na última terça-feira, dia 22 de maio de 2012, a declarar greve por tempo indeterminado, ao tempo em que espera contar com a adesão e com a participação de todos os servidores e também com o apoio e a compreensão da comunidade.

Eis aqui as razões por que paramos: Paramos porque apesar de prestar relevantes e imprescindíveis serviços à população nas áreas da saúde, da educação, da segurança, da limpeza pública e do transporte não desfrutamos por parte do governo municipal do devido prestígio, do respeito e da valia que merecemos e que temos. O que lamentavelmente vivenciamos, e o que a população não alienada vê, é um vicioso descaso tão explícito do atual gestor João Luiz e de sua equipe de administração que muito mais do que não cumprir a palavra, não cumpre as próprias leis, como vemos ano após ano ao não acatar a data- base prevista em lei, quando nem sequer se presta a negociar com o sindicato, legítimo representante dos servidores, e, portanto, com direitos legais e constituídos para defender seus interesses.

Tal atitude além de merecer o repúdio de todas as categorias do funcionalismo municipal é uma evidente prova de autoritarismo e de desdém não somente pelos servidores, mas também pela própria comunidade vítima maior do serviço público que recebe pouca atenção ou consideração do gestor público.

Nós, servidores municipais, paramos também porque, apesar desses atos inconstitucionais e nada éticos, o prefeito, valendo-se das palavras bonitas e de cunho sentimental, alardeia pelos quatro cantos da cidade uma absurda propaganda onde apregoa que o povo está contente, que a cidade tá diferente e, finalmente, que antes não era assim… De fato, antes, os nossos gestores, embora utilizassem propagandas piegas  como as de hoje, que em meio ao caos da seca beiram ao ridículo, ao menos não distorciam a verdade como, por exemplo, afirmar que pagam o maior salário da região aos professores quando, na verdade, o salário que é pago pela prefeitura municipal de Filadélfia está, inclusive, abaixo do piso nacional do magistério consoante a lei 11738/2008.

Paramos, por fim, pela insistente negação do gestor em complementar ou melhorar a remuneração dos auxiliares operacionais da educação, dos auxiliares operacionais da saúde e auxiliares de serviços gerais. Paramos pelo descumprimento do piso salarial nacional de professores e agentes comunitários e também pelo descumprimento de carga horária prevista na lei 11738/2008 e o não pronunciamento do prefeito quanto ao repasse do recurso do Fundeb referente a ajustes de cálculo de 2011 enviados pelo governo federal no último mês de abril no valor de R$ 606.819,76. Acrescenta-se a esses desmazelos do prefeito a recusa em reformular leis defasadas e omissas aos direitos constitucionais, objetivando manter seus ocultos interesses e de seus “aliados”, inclusive, a própria Câmara de Vereadores, que deveria, sim, legislar em nome dos interesses do povo. É salutar lembrarmos ao prefeito o que disse o grande político americano Abraham Lincoln: “É possível enganar uma parte do povo por um tempo: mas é impossível enganar o mundo inteiro o tempo todo”.