O suicídio é um grave problema de saúde pública mundial. Segundo a OMS, aproximadamente 1 milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano. É a terceira causa de morte entre jovens e o Brasil ocupa o oitavo lugar no ranking mundial. Por tudo isso, esse assunto não pode ser negligenciado.
Por que não se fala em suicídio? Por que as pessoas se matam? Por que frente a situações “semelhantes” alguns se precipitam num ato suicida e outros não? Por que para alguns a morte parece ser a única saída?
Pensar em suicídio faz parte da natureza humana. O suicídio é uma das formas de lidar com o sofrimento. É um ato radical que expressa dor, desespero e desesperança diante da vida. Quando o sofrimento atinge níveis insuportáveis, a morte, muitas vezes, se apresenta como única saída capaz de pôr um fim a dor de existir. Nesses momentos, a pessoa inicia uma busca incessante de acabar com seu sofrimento. Por isso, quem se decide pela morte necessita ser acolhido, escutado, respeitado. Alguém que precisa de ajuda e não de críticas, julgamentos ou condenação.
O dia 10 de setembro é considerado mundialmente o dia “D” de Prevenção do Suicídio. No Brasil, o movimento do “Setembro Amarelo” iniciou pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), que é uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio desde 1962, membro fundador do Befrienders Worldwide e ativo junto ao IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio), da Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio) e de outros órgãos internacionais que atuam pela causa, CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

MITOS E VERDADES

1. QUEM QUER SE MATAR NÃO AVISA. QUEM AMEAÇA, NÃO SE MATA Quem vai se matar, geralmente, avisa. Se não faz diretamente, dizendo “eu vou me matar”, preste atenção, porque ela pode estar expressando de forma indireta, como por exemplo: “Minha vida não vale nada”, “Por que Deus não me dá um câncer?” A ideação suicida pode ser identificada nas entrelinhas da fala. É preciso escutar, ler, estar atento a esses sinais, para ajudar essa pessoa o quanto antes. (RIGO, 2013)
2. FALAR SOBRE SUICÍDIO INCENTIVA O ATO Não. O ser humano é um ser de linguagem. De maneira geral, diante do insuportável da existência lhe restam 03 alternativas: falar, adoecer ou atuar. Por isto, quando uma pessoa decide terminar com a própria vida, essa escolha é fruto de uma série de desencontros, decepções, desilusões. Convidá-la a falar sobre o que lhe atormenta e até mesmo sobre sua intenção suicida não irá incentivá-la ao ato, ao contrário, falar sobre o que lhe consome pode ser uma forma efi caz de prevenir o suicídio. (RIGO, 2013)
3. O SUICIDA É UM DOENTE MENTAL. TODA DEPRESSÃO LEVA AO SUICÍDIO O comportamento suicida é um fenômeno complexo que pode ser influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Não podemos, portanto, reduzir este comportamento ao fato de o indivíduo ser portador ou não de uma determinada doença mental, até porque, a maioria das pessoas que sofrem com alguma patologia mental não irá cometer suicídio. Contudo, é inegável que a presença de transtornos mentais como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e dependência química sejam importantes fatores de risco para o suicídio. Estudos consistentes demonstram que cerca de 90% das pessoas que morrem por suicídio, são portadoras de transtornos mentais, muitas vezes não diagnosticados nem tratados adequadamente.
4. QUEM COMETE UMA TENTATIVA DE SUICÍDIO PODE COMETER MAIS DE UMA VEZ Metade das pessoas que cometem o suicídio tem história de tentativa de suicídio anterior, isso faz da tentativa de suicídio um importante fator de risco de suicídio. (BOTEGA, 2004). Por isso, é fundamental encaminhar estas pessoas para tratamento especializado.
5. SUICIDO É FALTA DE DEUS, FALTA DE VERGONHA OU FALTA DO QUE FAZER Não. Suicídio é uma das maneiras de lidar com seu sofrimento. E por fazer parte da natureza humana, ninguém está livre de um desfecho dessa ordem, independente de religião, fé, instrução, gênero ou classe social.
6. FRASES DE INCENTIVO EVITAM O SUICÍDIO A decisão pela morte é uma decisão muito séria e quando se chega a ela, muitas vezes é irrefutável. Por essa razão, quem já escolheu o suicídio, não mudará de opinião diante de frases feitas, como: “Pensamento positivo!Tire isso da cabeça! A vida vale a pena! Se incentivar não faz uma pessoa mudar seus planos de morte, fica a pergunta: para quem serve o incentivo, para quem recebe ou para quem dá?
7. QUEM TENTA O SUICÍDIO QUER CHAMAR A ATENÇÃO Uma pessoa que tenta o suicídio, não quer chamar atenção, ainda que muitas vezes possa parecer. Não se deve rotular uma tentativa de suicídio como um ato para chamar atenção, pois, quem utiliza métodos tão arriscados para tal fim, revela um estado de profunda dor psíquica. A tendência de negá-lo ou de desvalorizá-lo, só aumenta o sofrimento e o risco de êxito em uma próxima investida. Quando isso ocorre com crianças e adolescentes, essa situação se torna ainda mais arriscada. O adulto precisa saber que jamais compreenderá uma criança ou um adolescente a partir de sua própria perspectiva. O que para a criança se constitui numa dificuldade capaz de gerar um grande sofrimento, no adulto, pode ser interpretado como algo banal que não justifica o ato suicida. Quando a morte se apresenta como uma saída para o jovem é porque sua dor já se tornou insuportável e sua esperança foi extinta. E se frente à dor, aquele que supostamente deveria protegê-lo, lhe trata com desdém e desrespeito, sem dúvida, maior será o risco de suicídio.

O QUE NÃO FAZER:

1. Julgar/Criticar: “Isso é fraqueza!” ,“Isso é loucura”.
2. Minimizar o sofrimento: “Você quer se matar por isso? Já passei por coisas bem piores e não fiz essa besteira”.
3. Emitir opiniões: “Isso é falta de Deus”, “… falta de vergonha”, “… falta do que fazer”, “… é para chamar atenção”.
4. Dar lições de moral: “Olhe a sua volta! Tanta gente com problemas realmente sérios. Você tem tudo. Bola prá frente!”
5. Dar injeções de ânimo: “Reaja, tire isso da cabeça”, “pensamento positivo”, “a vida é bela”.
ALERTAS PARA A FORMAÇÃO DA IDEIA SUICIDA:
Automutilação e/ou práticas autodestrutivas;
Mudanças marcantes no comportamento ou nos hábitos;
Isolamento social;
Interesse por sites e/ou redes sociais sobre suicídio;
Na adolescência: comportamentos típicos dessa fase, como agressividade, irritabilidade e impulsividade podem camuflar um quadro depressivo;
Em idosos: diminuição ou ausência de cuidados com o corpo, isolamento social e doenças crônicas;
PROCURE AJUDA, FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO!

Fontes: Setembro Amarelo e Cartilha do Governo do Estado

PREFEITURA DE CAMPO FORMOSO – CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO