Por Paulo Machado

 

 

 

 

 

 

salvar vidas

Desde que retornei a Senhor do Bonfim, nos idos de 1980, chamavam-me a atenção a facilidade e a freqüência com a qual nossas famílias perdem os seus filhos, sobretudo os jovens. Intrigaram-me sempre as cruzes à beira da BA ou da BR, os rios vorazes, as festas sem retorno. E sempre nos limitamos a, vencidos pela força da fatalidade da morte, a nos contentarmos com um desanimado “foi a vontade de Deus” ou com interrogações que nunca trouxeram respostas e intervenções capazes de dar um novo rumo a essas perdas prematuras e recorrentes.
Não podemos continuar parindo os nossos filhos, vendo-os crescer sob nossos ternos olhares, comemorarmos as suas vitórias estudantis e profissionais, e depois mantermo-nos impassíveis diante de fatalidades que ceifam suas vidas e nossos corações. Agora mesmo vimos de perder uma jovial, afável e competente professora das escolas municipais, Ana Carla Cerqueira  Amaral e um jovem engenheiro ambiental recém-formado, Kleverton Brito Moreira, levados pelas águas que buscaram como  lazer.
 Há intervenções que podem ser feitas e que ainda não estão em nossa agenda politico-administrativa do território e de nossos municípios. Locais de grande procura da nossa juventude e famílias, a exemplo das prainhas de Ponto Novo, da Cachoeira da Fumaça, da Cachoeira Paulista, da barragem de Antonio Gonçalves, das águas da Bananeira (Pindobaçu) precisam ser sinalizadas, contar com equipamentos salva-vidas e quiçá, com profissionais que possam socorrer pessoas em momentos de perigo. Prefeituras e mesmo o Consórcio do Piemonte Norte do Itapicuru podem e devem, em breve tempo, realizar estudos sobre os perigos desses espaços paradisíacos, sinalizando os pontos críticos, alertando os visitantes, e mantendo um mínimo de kits que possam ser usados em ocasiões de emergência. Por que não elaborar leis municipais, e parte do orçamento municipal  ser reservado a essas providências que sem dúvida evitariam perdas e dores como as que estamos vivendo no momento?
Precisamos, sim, ir além das lamentações e da entrega à fatalidade. Perdemos dois presentes e dois futuros, jovens, que deixarão em nossa terra espaços vazios que jamais serão ocupados. Não se pode mais continuar inertes, debruçados sobre ceifadas vidas, fato que   empobrece cada dia mais a nossa terra e região.
Enquanto tal não fazemos, cobrimo-nos de luto, cinzas e dor, diante de mais duas preciosas e jovens vidas que escaparam de nossas mãos. Não nos interessa continuar apenas chorando a partida de nossos jovens,  daqueles que tão cedo não deveriam nos deixar.
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Paulo Machado
Senhor do Bonfim, 21-12-2014