Usuário de droga que foi amarrado em passarela foge de hospital e Família voltou às ruas e o localizou na Av. Tancredo Neves. Homem foi novamente levado ao Hospital Roberto SantosJO-N1.

O usuário de drogas, de 26 anos, que foi amarrado pela sobrinha em uma passarela de Salvador fugiu, no sábado (31), do Hospital Roberto Santos, onde foi internado para tratar um ferimento na perna. A família dele reencontrou o rapaz na noite de domingo (1º).

“Quando eu cheguei às 10h, que não o encontrei aqui já fui recebida pelas pacientes que estavam no local avisando que quando a menina que eu paguei para ficar [cuidando do tio] se retirou do local, elas começaram a avisar: ‘o menino está dizendo que vai embora, ele arrancou o acesso’”, afirma a sobrinha do rapaz, Sara Silva.

A mulher diz ainda que testemunhas relataram que o porteiro da unidade de saúde chegou a reencaminhar o paciente para a sala de internação, mas o homem não foi medicado. “Mais uma vez as meninas [outras pacientes] disseram: ‘aplica a medicação no menino que ele fica calmo. Não tentaram impedir a saída dele’”.

Sara avalia que o hospital não tratou adequadamente seu tio. “Quando eu fui atrás da coordenação eu não encontrei a coordenação. Ao retornar na sala de internação, que ele estava internado, pedi o prontuário dele para ver se tinha sido aplicada a medicação. Fui informada que o prontuário não estava, apareceu o prontuário duas horas e meia [depois] com os horários totalmente administrados. Ou seja, se ele tivesse tomado a medicação, ele não estava tão lúcido para sair tão bem daqui”, argumenta.

A família informou que procurou pelo usuário de drogas por vários bairros da capital baiana. Ele foi localizado na Avenida Tancredo Neves, uma das principais de Salvador. A sobrinha dele afirma que quando ela tentou internar o tio novamente no Hospital Roberto Santos, a unidade teria se recusado a atender o paciente. “Não quiseram atendê-lo, não quiseram nem mesmo olhar direito para o paciente. Nem mesmo o coordenador foi lá pegar o prontuário dele”, afirmou Sara Silva.

Após mais de duas horas, uma equipe do hospital informou que ia atender o paciente. Ele precisou ser amarrado novamente pela família. Nesta segunda-feira (2), o usuário de drogas permanece internado no Hospital Roberto Santos.

JO NEntenda o caso
O usuário de drogas foi amarrado pela sobrinha, no dia 26 de agosto, em uma passarela na Avenida Bonocô. De acordo com a sobrinha, Sara Silva, ele estava desaparecido há mais de cinco anos. Ela passava pelo local e resolveu amarrá-lo para impedir a fuga dele. Ela esperou por algumas horas até que uma equipe do Samu chegasse ao local.

Segundo Sara, o tio foi levado para o Hospital Mário Leal Ferreira, para o Quinto Centro de Saúde, e depois para o Hospital Roberto Santos. A sobrinha informou que o usuário de drogas foi adotado pela avó dela aos oito meses de vida e que é viciado em drogas desde os 13 anos.

Emocionada, Sara conta que a avó, hoje com 90 anos, aguarda até hoje o retorno do filho adotivo à casa, localizada na cidade de Senhor do Bonfim, interior da Bahia, de onde ele fugiu.

Especialista
Para o psiquiatra Esdras Moreira, do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), casos que envolvem drogas e problemas psicológicos são comuns. Segundo ele, amarrar o paciente não seria a melhor forma de lidar com a situação, mas o ato de desespero de algumas famílias é compreensível.

“Hoje em dia a gente vê se repetindo isso pela inexistência de uma rede, de uma organização que trate a saúde mental de forma adequada. Precisa-se de internamento como qualquer doença. Se você tem uma intensidade, uma complexidade, uma gravidade muito grande, precisa de um internamento que seja de uma semana, de duas, três semanas, para avaliar clinicamente esse paciente, fazer um diagnóstico, organizar um plano terapeutico e fazer os encaminhamentos necessários. Só que nos casos mais graves, quando precisamos de internamento, nós não temos. Não temos aonde encaminhar um paciente dependente químico. E se esse dependente químico tiver uma doença mental associada, que é muito comum, nós não temos para onde encaminhar para o internamento adequado. Nós vemos isso acontecer o dia inteiro”, afirma o psiquiatra.

Unidades de saúde
A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que existem em Salvador algumas unidades de saúde que prestam atendimento específico aos usuários de drogas. No entanto, elas não oferecem internação. O Ponto de Encontro – Centro de Convivência AD é um desses serviços. O projeto funciona há um ano na Ladeira do Boqueirão, no bairro Santo Antônio Além do Carmo. De acordo com a Sesab, por mês são atendidas 1,2 mil pessoas na unidade.

Também está disponível o atendimento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – Gregório de Matos (CAPSad), que funciona no antigo prédio da Faculdade de Medicina da Ufba, no Terreiro de Jesus. Existem outros dois Caps na capital baiana. Um no bairro de Águas Claras e outro em Pernambués.

Em relação ao atendimento psiquiátrico, há o Hospital Especializado Mário Leal, que fica no bairro do IAPI, e o Hospital Juliano Moreira, em Narandiba.

*Do G1 BA, com informações da TV Bahia