Vejo Dr. Correia correndo prefeituras, observando administrações inovadoras e ousadas, buscando deputados, mostrando que 2013 deverá ter uma administração “diferenciada”, capaz de mudar os dramas crônicos da saude, da urbanização, do saneamento básico, da cultura, tudo recheado com a superação da seca que castiga o município de Senhor do Bonfim como um todo. Desejo-lhe sucesso nessas empreitadas, sobretudo se a população continuar vigilante, crítica e exigente como o tem feito ao longo dos últimos anos. Mas o amor a Bonfim, que não arrefeceu em nosso coração, nos convida a apontar ao novo prefeito dois desafios que ele não pode deixar de enfrentá-los:

O primeiro desafio é a escassez de recursos. Quando prefeitos e prefeitas renunciam ao cargo para não serem punidos por tribunais de conta ou porque não podem pagar as multas excessivas que são obrigados, impiedosamente, a pagar, comprometendo até mesmo as suas sobrevivências e de suas famílias… Quando o prefeito Isaac de Carvalho, da progressista e bem aquinhoada Juazeiro, tanto no comércio quanto na indústria, decreta a falência financeira do município, não faz isto em um gesto de retórica. A queda vertiginosa e constante do Fundo de Participação dos Municípios, resultante das benesses tributárias que a Presidenta Dilma vem concedendo ao setor industrial do país, e do injusto pacto federativo sempre em desfavor da municipalidade, têm deixado os municípios impotentes. Não há recursos nem mesmo para cobrir a folha, pagar os débitos e precatórios já parcelados, muito menos para honrar compromissos com fornecedores. As contabilidades municipais vivem hoje dias de horror, impossibilitadas de cumprir os índices da saude e da educação, bem como impossibilitadas de continuar mantendo os inúmeros programas das áreas de saúde, educação e assistência social, sem comprometerem o limite prudencial de gasto com pessoal. Daí se entende porque uma prefeitura como Lauro de Freitas vem de demitir, sem piedade, 1.600 funcionários.

O segundo grande desafio do prefeito noviço será conter a euforia do povo, ainda embalado pelas músicas de campanha, sobretudo uma que foi cantada à saciedade pelos seguidores do dezenove, e que dizia que “primeiro quem manda é o povo, segundo é o povo e em terceiro lugar Correia, que é empregado do povo”. Se esta proposta teve um efeito extraordinário instalando a euforia e o desejo de poder, sobretudo dos mais simples e excluídos, não deixará de trazer os seus percalços a uma administração que precisa revelar e impor uma nova identidade, o que implica em decisões de poder nem sempre consentâneas com a vontade popular. O prefeito atual que já o diga, visto que, por exemplo, os fiscais da feira de Senhor do Bonfim, enfrentam dificuldades hoje até mesmo para fazerem a cidade voltar à normalidade, após a grande feira que começa na sexta-feira e se estende até o domingo pela manhã. São recebidos pelos feirantes com um “vade retro, porque quem manda agora é o povo. E a partir de janeiro então, vocês irão ver!” A não ser que a nova secretaria de administração incorpore de vez o bordão de campanha e deixe as águas rolarem..
Porém, tocado pela fé, e pelos ensinamentos hauridos da teologia católica, recordo o velho ensinamento de que em decisões a serem tomadas na vida, somos acompanhados do que se chama de “graça atual”, definida no catecismo católico como “um dom transitório, ou seja, é como se fosse uma “luz” para a mente ou uma“força”, um “estimulo” para a vontade, a fim de que a pessoa faça o bem. Não é um dom permanente como a Graça Santificante. É um “impulso Divino” que ajuda cada um a fazer ações acima de suas forças naturais.” Esta graça seria concedida por Deus a quem é investido em determinadas funções a serviço da sociedade e do bem comum.

Podem até mesmo dizer que estou exagerando ou carregando as tintas na reflexão teológica que venho de fazer. Mas a título de incentivo repito que o novo prefeito, Dr. Correia, vai precisar de muita fé, coragem, esperança e graça enquanto proteção divina. Disto eu tenho certeza que ele vai precisar. E muito.

Paulo Machado, prefeito de Senhor do Bonfim, aos 4 de novembro de 2012.