“A GREVE MÉDICA DO SAMU EM SENHOR DO BONFIM É INCOMPREENSÍVEL”, AFIRMA O PREFEITO PAULO MACHADO

Apesar das tentativas de negociação, no final da tarde desta sexta-feira (26), por parte do secretário de saúde Dr. Antonio Olímpio e sua equipe gestora, os médicos que atendiam no SAMU, sob orientação do seu coordenador Dr. Fábio, abandonaram o setor e deixaram a população bonfinense e regional sem os serviços de emergência que se façam necessários e urgentes. O motivo alegado é o atraso de salários, visto que o governo do estado vem sistematicamente femorando de fazer o repasse de recursos, acumulando-se três meses em atraso.
“Mesmo tentando compreender o lado financeiro e profissional dos médicos grevistas, há de se levantar alguns pontos à nossa análise,” diz o prefeito Paulo Machado: “todos sabem que os repasses do Samu são realizados com muito atraso; a situação social e financeira dos senhores médicos não indicam estado de pobreza que justifique uma atitude tão radical; a nossa população se encontra totalmente desamparada e desguarnecida, o que nos leva a pedir a todos que redobrem os cuidados em vista a evitar o uso de emergência médica, ao menos em determinados casos”.
Para o prefeito Paulo Machado trata-se de um gesto marcado pela insensibilidade e que nos obriga a recordar duas declarações que vêm construindo na medicina, desde a antiguidade, atitudes de compaixão e de piedade: o juramento de Hipócrates e a sua versão contemporânea atualizada em Genebra:
1. Diz o Juramento de Hipócrates, escrito e publicado no século V a. C:

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.

 

2. A Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial – 1948, a mais antiga e conhecida de todas, tem sido utilizada em vários países na solenidade de recepção aos novos médicos inscritos na respectiva Ordem ou Conselho de Medicina. A versão clássica em língua portuguesa tem a seguinte redação:
“Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.”