Em tempos de período eleitoral,  discute-se os serviços públicos, focando os seus problemas na gestão e projetando possíveis melhorias nas mais variadas formas de administrar. Na questão da saúde todos tem formulas secretas para resolver um problema que não é do município, mas, sim, do Estado e da União.
Os governos Federais e Estaduais, dividiram os Estados em regiões e microrregiões, privilegiando algumas em detrimento de outras. Vivemos numa micro-região onde Juazeiro é sede de Macro e, neste sentido, o Governo do Estado investe naquele município todos os equipamentos e melhorias na saúde em serviços de maior complexidade, desta forma, como não temos as condições de trabalho necessárias, imperiosamente, temos que transferir os pacientes de maior gravidade para outras cidades – Juazeiro ou Salvador.
A bem da verdade, o Município esta investindo no hospital valores capazes de reformar o centro-cirúrgico e a emergência com novos equipamentos ( R$ 350.000,00). No entanto, precisamos de mão-de-obra médica, hoje um problema de carência seríssimo, para a nossa população. Nas questões de ortopedia, obstetrícia e clínica médica, de fato, temos alcançado mão-de-obra mínima para tais atendimentos, no entanto, na questão da pediatria não conseguimos profissionais suficiente. Neste sentido poderia se dizer que os valores pagos sejam baixos, no entanto, observamos que ofertamos o valor de R$ 1.400,00 ( hum mil e quatrocentos reais ) por plantão de 24 horas, podendo haver negociação para cargas horárias diferentes para qualquer que seja  a especialidade. O fato, ao nosso ver, identifica-se muito mais pela falta de desejo dos profissionais, especialistas, em trabalhar no nosso hospital, do que, qualquer outra proposição justificável.
É certo que o hospital deve um pedido de desculpas aos pediatras que antes, nele trabalhavam e que tiveram seus contratos rescindidos de forma não elegante,  mas, ao mesmo tempo, já que estamos sob nova administração e com o devido respeito ao profissional médico, insistimos que a nossa população necessita da mão-de-obra pediátrica para satisfazer as suas necessidades médicas. Já ficou evidenciado nas palavras de Dr. Correa que, “na sua gestão”, teremos pediatras. Ótimo! Mas por que não os temos hoje? Os médicos estão boicotando a gestão municipal atual? Se verdade, estarão cometendo um grande erro, a população não merece tal tratamento.
Para os efeitos dos projetos de saúde Estadual e Federal reiteramos que o cidadão de Senhor do Bonfim e da Miicrorregião do Piemonte Norte do Itapicuru é tão igual quanto os de Juazeiro e região. Não podemos ser afastados, dos investimentos feitos pelo Estado e União na cidade de Juazeiro, estabelecendo-a como sede de macro e município, único, capaz de e ofertar serviços de média e alta complexidades.
Se por um lado entendemos a preocupação de cada candidato com a saúde, principalmente no que diz respeito ao  hospital, por outro, vemos com temeridade a ignorância dos custos mensais dos serviços, por tais pessoas, estando estes custos, hoje, na faixa de R$ 550.000,00 mensais, para uma receita de R$ 430.000,00 tambem mensal. A bem da verdade, os programas de saúde ofertados pela União e recebidos pelos municípios, tem custos tripartites ( União, Estado e Município), sobrando, ao final, a maior parcela dos seus custos para o Município, respondendo este com o ônus das relações de trabalho com a mão-de-obra utilizada e obrigado aos prazos de pagamentos contidos em Lei, mesmo que os repasses cheguem em dias dispares dos previstos em lei ( nunca antes do dia 5), Isto vale para o SAMU, ACS, PSF etc.
Entendo que toda a preocupação com o Hospital Regional deva-se ao aspecto de ser ele o último local onde a população vai buscar e reclamar da prestação dos serviços de saúde e, neste sentido, estamos sintonizados com a população.
Veja-se que o Hospital, alias IBAPS, está sem Alvará de Vigilância Sanitária tendo somente autorização para  a compra de medicamentos e por prazo determinado. O IBAPS perdeu a sua condição de filantropia e, no extremo, a condição de sociedade sem fins lucrativos com registro no Ministério da Justiça.
No contexto atual estamos trabalhando para ter um Alvará de Vigilância Sanitária definitivo, tornando a entidade apta e ter o retorno da sua condição original ( reconhecimento integral e com filantropia), ou, de outra forma, que o hospital, entidade municipal, possa vir a ser gerida por outra entidade filantrópica, na condição de mantenedora e assumindo os riscos do negócio, substituindo o IBAPS, hoje, entidade falida. Assim  e com novo CNEAS o hospital estaria capacitado a receber os  investimentos diretos do Estado e da União, alem de convênios outros que não o SUS. Por outro lado, haveremos de reconhecer os direitos trabalhistas dos empregados que terão que ser indenizados.
Em termos globais, identificamos que o Hospital tem um deficit financeiro da ordem de R$ 120.000,00 por mês, tomando-se por base os valores recebidos e as obrigações a pagar ( folhas de pagamento / Médicos e empregados e fornecedores de materiais e de serviços).
O Município investe hoje, R$ 430.000,00 em valores contratados e mais R$ 50.000,00 com cessão de mão-de-obra de enfermeiras, bioquímicos etc. Não existe mágica para o aumento do repasse de valores para o hospital, visto que a secretaria tem os seus próprios problemas com sejam:
PSF – O valor repassado pelos demais entes ( Estado e União) é de R$ 9.000,00 e o seu custo final é de R$ 25.000,00 –  OMunicípio arca com a diferença.
SAMU – Uma ambulância USA ( Unidade de Serviços Avançados ), tem um custo de mais de R$ 80.000,00, com receitas que não chegam a R$ 55.000,00. O programa prever a utilização de 3 equipes de assistência funcionando 24 horas, composta de enfermeiros, médicos de atendimentos, médico regulador, técnicos, telefonistas, coordenadores, motoristas e motoqueiros. O programa como um todo consiste de 4 ambulâncias e motos. Aqui identifica-se que o SAMU incorpora hoje mais de 100 pessoas contratadas.
O Município é obrigado a oferecer consultas de especialistas à população que tem custos que variam entre o que se paga a um plano e saúde normal até o valor que os médicos cobram de pacientes particulares, sendo estes os valores pagos pelo Município: ( Pediatria – R$ 20,00; Otorrino R$ 65,00; Cardiologia R$ 25,00; Neurologia R$ 200,00 ), Neste item identificamos que a antiga Tabela do SUS seve, hoje, tão somente para cálculo e pagamento dos serviços produzidos pelo hospital e que ficam aquém dos seus custos. Uma AIH ( Autorização para Internamento Hospitalar ) tem o valor médio de R$ 450,00, servindo para quaisquer procedimentos hospitalar, estando ai elencados a hotelaria, materiais, medicamentos, serviços profissionais médicos, técnicos e centro cirúrgico.
Como visto, e retornando ao Hospital, não há como a entidade sobreviver com as receitas advindas da sua produção. Os seus serviços tem custos altos e devem ser supridos pelos entes federados ( União Estado e Município). Sabendo que o Município está cumprindo a sua parte perante a legislação ( acima de 20% das suas receitas ), cabe ao Estado e União entrarem com a suas partes, o que nunca aconteceu. Por falar nestes suprimentos, aqui se confirme o atraso de pagamentos da União e Estado, este último chegando a ultrapassar a cinco meses com verbas do SAMU e PSF.
Para aqueles que entoam o canto da construção de um novo hospital, provavelmente ainda não entenderam que isto só será possível em 3 anos e, até lá, a população terá que continuar a ser assistida no velho HDAM. Com as reformas que estão em andamento, o velho e querido hospital continuará necessitando somente de maiores recursos e maior boa vontade dos profissionais médicos residentes na cidade e da gestão pública.
Ainda na questão de IMÓVEIS NOVOS ( coisa fácil de ser feita e com custos previstos e definitivos – quem gosta é empreiteiro) a população deve ficar atenta com o funcionamento de novas entidades de saúde, pois a operacionalização de qualquer delas, demanda custos mensais altos  e não se sabe quem arcará com tais compromissos. Iniciando pela UPA – Unidade de Pronto Atendimento, a previsibilidade de inauguração e funcionamento imediato é quase zero. Em sendo os custos tripartites o Município, antes da inauguração deste centro de saúde, deverá planilhar os custos totais operacionais para verificar se pode assumir ou não. Não é meritoso abrir por abrir e ficar com um elefante branco.
Por outro lado, se hoje não temos médicos para compor os serviços de emergência do Hospital de do SAMU, como explicar a existência desses para contratação de novos médicos?
Quando se fala em UTI – Unidade de tratamento Intensivo, devemos entender que esta unidade necessita de equipe treinada e pronta para o trabalho. Adianto aqui que não temos no Estado equipes prontas para tanto e que os custos são exorbitantes, considerando a dimensão e qualificação das pessoas que a comporão.
Falamos em UTI na Rede Cegonha ( 10 leitos ), também em Hospitais mas ainda não paramos para colocar no papel os seus custos e o seu estudo de viabilidade. Qualquer coisa fora deste script é mero chute e bobagem política para conquistar votos.
A saúde da população não pode estar na mesa do “jogo político” do “EU VOU FAZER”, para dizer isto faz-se necessário que o candidato explique o como vai pagar os custos operacionais, a origem das receitas etc. Não vale aqui, a promessa de que irá a Governadoria ou a Presidência, se a questão fosse fácil, o Prefeito atual já  o teria conseguido. Isto dentro de um plano de que os entes federados nas esferas acima do Município, sejam povoadas de pessoas sérias e que não estejam boicotando o Município por puro jogo político.
O projeto arquitetônico de um novo hospital já existe, isto desde a gestão de Gorete Braz à frente da Secretaria, onde foram gastos R$ 120.000,00 e com aprovação pela SESAB, agora na gestão de Marcos Lima. No entanto, o Município precisará fazer mais três projetos adicionais ( elétrico, gases, hidráulico ) com custos superiores a R$ 150.000,00 e, diga-se, um investimento sem nenhuma garantia de execução pelo Governo do Estado.
Em mesmo plano, o dito projeto foi planejado em cima de terrenos do próprio hospital, havendo ai a necessidade de demolições de algumas áreas. A grande questão, no entanto, é saber como conviver com as duas coisas? A necessidade de continuar com as operações do hospital e a demolição de alguns áreas para a construção do novo? Está ai a sinuca de bico a ser resolvida.
Paro por aqui para não me tornar cansativo, contudo identifico que há ainda muitas verdades a serem ditas e entendidas pela população.
Humberto Santiago