CANDIDO
            Foto arquivo da família

 

O Governo cuidando de nossa gente enviará à Câmara Municipal projeto de lei que dará o nome de “Praça Prefeito Cândido Augusto Martins” à atual Praça Manoel Vitorino, em frente às Sacramentinas, sendo ali também inaugurado um busto em bronze.

“Foi um prefeito muito popular, muito querido, e que se destacou na realização de obras em nossa terra. Muitos bairros foram pavimentados totalmente por ele”, afirmou o Prefeito Paulo Machado.

Esta ideia é antiga e me acompanhava desde o seu prematuro falecimento, ocasião em que pronunciei no mais íntimo de mim mesmo, no dia 06 de outubro de 2010,  o seguinte discurso, diz o Prefeito de Senhor do Bonfim:

“Caso fosse orador, teria tomado para mim a frase marcante de Paulo Braga, de que ali se encontrava um homem público que iniciou a sua carreira política rico, e terminara pobre. Sem entrar em digressões maiores diria que este fato enobrece a biografia do ex-prefeito pranteado, diante de uma tradição infeliz em que prefeitos pobres deixam o cargo ricos e a esbanjar dinheiro, e prefeitos ricos já passaram a faixa a outros ainda mais ricos

Diria também o que muitos disseram nestes naquele dia, que Cândido Augusto tinha um coração bom, não guardava mágoas e sabia perdoar. São virtudes suas, sem dúvida, e que também enobrecem um administrador público, mas virtudes que se usadas em excesso, podem levar a sua administração à  manipulação de pessoas interesseiras e sem maiores compromissos com a seriedade da administração pública.

Elogiaria também o grande silêncio que ele fez, ao se retirar da administração pública, em relação às novas administrações de Senhor do Bonfim, evitando pronunciamentos condenatórios e retóricos que viessem a interferir na tranqüilidade e ritmo dessas administrações.

Afirmaria também que uma análise maior do perfil administrativo de Cândido Augusto, há de considerar que ele atuou, nos últimos tempos, em um momento de transição do controle social e público sobre as gestões municipais. Momento este em que a Lei de Responsabilidade Fiscal, a atuação rigorosa  da Controladoria Geral da União, dos Tribunais de Contas,  e a consolidação de uma Controladoria Interna ainda não estavam definidos no cenário das administrações municipais: os prefeitos, até então, governavam sem estes mecanismos de controle, avaliação e orientação, planejavam e agiam muitas vezes de forma amadora e sem um apoio e um norte que lhes garantissem o prumo da gestão. Diria, mesmo, que Cândido Augusto foi o último prefeito de Senhor do Bonfim  a governar em um quadro antigo das administrações municipais. Um quadro em que o prefeito tinha contra si a ausência de olhares institucionais  fiscalizadores e controladores capazes de ajudá-lo a bem governar, fugindo-se de interesses imediatos de co-gestores do seu processo de governo.

Por fim, antes de fazer a oração final que levaria o seu esquife à sepultura eu diria que  Cândido Augusto nos ensinou a renovar o amor, permanentemente, para com o solo que nos viu nascer, a nossa querida Senhor do Bonfim. Descanse em paz!”.