Em Salvador, Mulher-Ketchup assume apelido e se garante: ‘Sou gostosa mesmo’

“Quando meto um decote, ninguém me segura”, diz Erenildes, sem um mililitro de silicone

Foto: Antonio Saturnino

Mulher-Ketchup e o vermelho fashion

Alexandre Lyrio | Redação CORREIO
alexandre.lyrio@redebahia.com.br

A moda Primavera-Verão já tem sua cor. O “tangerina” vem com tudo, dizem os entendidos. Deve ser porque a alta costura nunca pisou em Pindobaçu, a 377 quilômetros de Salvador. Por lá, a cor que dita moda é o vermelho. Vermelho-ketchup.

Erenildes Aguiar Araújo, 32, assumiu de vez o apelido agridoce, mundialmente conhecido. Em Salvador desde segunda-feira a convite  de um programa de TV misturou tintura nos cabelos e pintou as unhas com a mesma coloração. “Eu adoro vermelho. Sempre gostei. São aquelas coincidências da vida, sabe?”.

Com salto plataforma para disfarçar seus 1,55m, a Mulher-Ketchup desfilou pela avenida Sete de Setembro e provou os melhores ingredientes da loja de roupas Grippon. Funcionários pararam para ver e clientes curiosos espicharam a cara para dentro do estabelecimento.

Depois, no Salão de Gal, na Pituba, o assédio foi ainda maior. Manicures e cabeleireiras fizeram questão de posar para a condimentada foto. “Teve cliente que, quando viu na TV, ligou reclamando. Queriam ter sido avisados. Ela virou uma estrela”, definiu Graça Souza, uma das proprietárias do salão.

A Mulher-Ketchup é baixinha, mas picante. A estatura é compensada pelos seios saltando para fora da blusa. “Quando meto um decote, ninguém me segura”, diz Erenildes, sem um mililitro de silicone, mas com uma tonelada de autoestima. Com 64kg, ela se acha mais que apetitosa. “Eu sou gostosa mesmo”.

Mas Erenildes já provou os dissabores da vida. Nascida em Pindobaçu, aos 15 anos se transferiu para a capital. Em Salvador, conheceu seu primeiro companheiro, com quem teve duas filhas. Foi morar em São Paulo, mas acabou sozinha. Voltou para Pindobaçu e conheceu seu atual marido. Um homem ciumento e agressivo, segundo conta.

“Ele até já me agrediu”, diz Lupita, que sábado passado viu seu companheiro queimar suas roupas e sair de casa com ciúmes da fama internacional. “Ele é obsessivo”. Agora, apesar da badalação, pouca coisa mudou financeiramente. “Ninguém me ajudou com nada”. Diferente do que se diz por aí, Erenildes não tem nem ideia se vai ser mesmo política. “Nunca pensei em ser candidata, o povo é que pede”. O povo ama a Mulher-Ketchup.

Erenildes, obviamente, adora ketchup. “Compro de caixinha que é mais barato. Foi o de caixinha que a gente usou para fingir tudo”, revela. Não é por acaso que as massas têm lugar certo em sua mesa. Macarronada, lasanha, pizza, pastel, coxinha… ela gosta de tudo que vai bem com ketchup.

Apesar de apreciar uma boa comida, Erenildes não tem ideia do que vai se alimentar hoje. Nem sabe o que vai ser de sua vida em Pindobaçu. “Se dependesse de mim, nem voltava. Tenho medo de meu marido, mas preciso pegar minhas filhas”.

Lupita é dona de casa e não tem quem a sustente. Até os
R$ 240 que ganhou do acerto com o “assassino” continuam guardados. “Se a Justiça quiser, devolvo cada centavo”.

Agora, a Mulher-Ketchup confia que alguém vai apostar em seu talento como garota propaganda. Afinal, a vida de Erenildes ganhou um molho especial, mas não suficiente para encher sua barriga.