O PNB teve acesso a conversas, escritas e em áudios, de um grupo de WhatsApp intitulado “abertura do comércio”, onde os membros combinavam “estratégias” de driblar o Decreto Municipal Nº 449/2020 de enfrentamento a pandemia causada pelo novo coronavírus no município, que voltou a fechar o comércio de Juazeiro.

O grupo possui 238 integrantes, sendo a grande maioria empresários e pessoas ligadas ao setor em Juazeiro, defensores da reabertura do comércio da cidade, e que promoveram uma carreata na última quinta-feira (25).

Em um comunicado, o administrador, um representante do setor industrial, chegou a passar orientações sobre mais uma forma de protesto para pressionar a reabertura das lojas.

“Prezados,
Dica: Cada loja devia isolar as portas com fitas zebra preta e amarela, e abrir as portas; Não deixar ninguém dentro. Colocar os funcionários nas portas da lojas. Apagar todas as lampadas para ninguém entrar. Colocar carros de de som protestando. Chamar os blogs (Petrolina Destaque, Carlos brito, Edenevaldo Alves, Valdiney Passos (todos de Petrolina), as rádios que os lojistas têm contrato. O dronne para filmar e colocar nas redes sociais. Toda esta movimentação deve durar uma manhã. Ninguém entra na loja para fazer nada. Para isso e bom se programar para não entrar na loja. Fazer cartazes e dar para os funcionários. Quando a fiscalização vier a loja vai esta aberta sem ninguém dentro, e não pode fazer nada”, diz a mensagem.

Outro também propôs uma alternativa para driblar a fiscalização. “Quando os guardas forem descendo no calçadão, vocês avisem aí, porque eles estão no outro calçadão e vão vir pra este próximo ao estádio”, diz uma voz.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (Semaurb), a tentativa de burlar o decreto e descumprir a determinação estabelecida de suspender a abertura de comércios considerados não essenciais e impedir a propagação do novo coronavírus resultou, desde a última segunda-feira (22), data em que o comércio foi fechado, até o final da manhã da sexta-feira (26), em cerca de 70 estabelecimentos comerciais visitados, com 3 interdições e 5 autuações por descumprirem o decreto municipal.

Ataques à imprensa

Nas mensagens trocadas, existem também ameaças de suspender ou não fazer anúncios publicitários de suas empresas nos veículos de comunicação que não apoiaram o movimento, inclusive ao portal Preto Branco, que publicou matéria com críticas de espectadores sobre a carreata.

“Os empresários foram totalmente ridicularizados”, dizia um comentário. “Blog comunista não tiveram o que falar, foram falar dos carros do ‘povo’ (sic), coisa de gente despeitada”, complementou outro.

 

“Já estou informando a emissora de rádio e ao blog que patrocino que, por falta de transparências deles com a verdade, não renovarei o contrato que vence no fim desse mês”, escreveu um empresário anunciante de algum veículo de comunicação.

“Vamos também cancelar ou não renovar nenhum contrato com rádio, TV, jornal, blogs que não foram sensíveis com a salvação das empresas e empregos. Se não puder cancelar de imediato, ligue renunciando a renovação. Eu já fiz”, diz o autor da mensagem.

Em outra mensagem, uma mulher, de prenome Luciana, faz mais ameaças à imprensa. “Sendo profissional de comunicação e mkt, digo: Usem e abusem das suas redes sociais como ferramentas não só de divulgação, mas também de denúncias. Façam vídeos e depoimentos testemunhais. Deixem tudo em aberto para que possam ser compartilhados. Se possível, pague para impulsionar as suas postagens e/ou convoquem seus amigos blogueiros para que trabalhem a seu favor ou através de permutas – O escambo está mais em moda do que nunca! Todos sabemos para quais santos a maioria das rádios e blogs se ajoelham. Só que, eles são POUCOS perto dos MILHARES que somos! Todos eles estão se arrastando e sem credibilidade alguma. (Se a Globo está, imagine cá!) Se agirmos estrategicamente, essas “impressas” perdem território e pela lei natural das coisas, serão banidas do mercado, que somos NÓS!”, ameaçou a mulher.

Posicionamento do PNB

O Portal Preto No Branco, lançado há 4 anos, é um veículo conduzido pela editora Sibelle Fonseca, com 30 anos de profissão, e vasta experiência em TVs e rádios na região do São Francisco, e no Estado de Sergipe, premiada por instituições e empresas como OAB-Bahia, Sinjorba, Sindicato dos Jornalistas da Bahia, Coelba, Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, Petrobrás e mais dezenas de prêmios regionais, e pelos jornalistas profissionais Yonara Santos e Thiago Santos.

Desde a nossa fundação, mantemos uma linha editorial clara e posicionada, em apoio à democracia, e na defesa dos movimentos sociais e operário, aos direitos individuais do cidadão e as pautas voltados para política, cultura, comportamento e públicos específicos, como mulheres, negros, comunidade LGBTQIA+, entre outras minorias de direitos.

Contamos com apoio logístico de poucos anunciantes privados e estatais, importantes para nossa manutenção, que pagam cotas pelo serviço prestado na divulgação de seus conteúdos e produtos. Todos os anúncios pagos ao PNB são lícitos, comprovados em Nota Fiscal e as cotas seguem o valor de mercado.

Respeitando e agradecendo aos nossos parceiros, esclarecemos que são somos dependentes de qualquer financiamento, e jamais barganharemos a nossa independência e liberdade de expressão, por qualquer contrato, independente do porte e do valor do anunciante. Em tempo, esclarecemos que, por não concordar com determinadas posturas de empresas da região, já dispensamos contratos que nos foram oferecidos.

Nos enquadramos no formato “mídia alternativa”, que contrasta com as mídias corporativas, a maioria comprometida com os “interesses do capital”. O nosso compromisso é com o direito à informação, a liberdade de imprensa, e com um jornalismo transformador e engajado. Além de divulgar notícias e prestar serviço, também fazemos um jornalismo opinativo. Enfrentamos perseguição política, falta de fontes de financiamento, ataques a nossa honra e credibilidade, inclusive com ameaças pessoais contra a integridade física da equipe.

Compreendemos a aflição do setor empresarial neste momento de crise, nos preocupamos também com a economia do município e do país. Somos uma empresa pequena, também afetada com a pandemia do novo coronavírus, mas temos saúde financeira para mantermos nosso projeto de pé, honrando compromissos financeiros, e firmes e fortes na nossa missão de defender, a qualquer preço, a dignidade humana.

Não “perderemos território” e a lei natural das coisas não permitirá que sejamos “banidos do mercado” composto por empresários que querem “comprar” os veículos de comunicação, usando-os como seus porta-vozes. Nosso compromisso é com a sociedade.

Respeitamos a ciência, as organizações mundiais de saúde e a vida, um bem inalienável!

Da Redação por Sibelle Fonseca